Alimentação da criança e a gordura do bem o DHA

As gorduras (ou lipídios) fazem parte da alimentação humana como fonte e “depósito” de energia. Calcula-se que 30 a 40% da ingestão calórica diária provém de gorduras. Mas não é somente isso! Gorduras também possuem função estrutural na formação das células do organismo e são importantes componentes no metabolismo – como núcleo de alguns hormônios – e na regulação da atividade inflamatória.

O organismo humano necessita receber gordura pela alimentação, pois assim terá acesso aos chamados ácidos graxos, que são considerados essenciais, ou seja, não conseguimos produzi-los, mas sim transformá-los através do metabolismo em compostos estruturais e bioativos.

As gorduras do bem favorecem a saúde e desenvolvimento cognitivo da criança para a fase adulta.

As gorduras são classificadas como saturadas (por exemplo, as do leite e derivados ou da capa de gordura das carnes) e as insaturadas, que são de maior importância para o organismo, pois ajudam a elevar os níveis de HDL no sangue, conhecido como “colesterol bom”. Elas ainda podem ser sub classificadas entre as da classe ômega-6, que provém principalmente dos óleos vegetais como de soja e milho; ômega-9, encontrada no azeite de oliva; e ômega-3, encontrada em menor quantidade nos óleos vegetais, germe de trigo e peixes.

 

A importância do DHA

O processo de metabolismo dos ácidos graxos em nosso corpo dá origem ao DHA (ácido docosahexaenoico) , que auxilia na “fluidez” dos impulsos elétricos da rede de neurônios, de vital importância no desenvolvimento cerebral e cognitivo. Ele também é importante na saúde cardiovascular de crianças e adultos.

Além disso, durante os “Primeiros Mil Dias” – soma dos nove meses da gestação (270 dias) e os dois primeiros anos de vida (730 dias) – que é um período de crescimento acelerado, tanto fisicamente quanto do sistema nervoso, e no qual cerca de 80% do cérebro se desenvolve – a oferta adequada dos nutrientes, em especial do DHA, associado aos estímulos ambientais adequados, favorece a saúde e desenvolvimento cognitivo da criança para a fase adulta.

Durante a gestação, ocorre passagem do DHA através da placenta e, após o nascimento, ele está presente no leite humano, em conjunto com outros tipos de ácidos graxos necessários para o crescimento e desenvolvimento da criança. O leite humano é muito rico em DHA e é constituído por diversos ácidos graxos que proveem energia para o crescimento e para metabolismo da criança.

Na introdução da alimentação complementar é de grande importância o preparo das refeições com óleo vegetais e consumo de peixes marinhos ricos em DHA. Por esses motivos indica-se o DHA, verdadeira “gordura do bem”, na alimentação da gestante, lactantes, de crianças e adolescentes e também de adultos, para quem se recomenda pelo menos duas porções semanais de peixes marinhos.

No caso de baixa ingestão do DHA e/ou quando não se atinge as recomendações nutricionais diárias, deve-se considerar a suplementação, preferencialmente através da fortificação dos alimentos, visando obter seus efeitos benéficos à saúde e desenvolvimento mental e cognitivo ao longo da vida.

Fonte: Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Por: Dr. Rubens Feferbaum

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